Sua igreja é saudável?

Sua igreja é sudável? Essa é uma pergunta constrangedora mas precisamos ter coragem pra falar sobre isso”

“E, chegando-se Jesus, falou-lhes, dizendo: É-me dado todo o poder no céu e na terra. Portanto, ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado. E eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação do mundo. Amém.”

Você já se perguntou qual é a real missão da igreja? Ou por que existimos como comunidade da fé?

Quem sabe já tenha se questionado se as atividades de sua comunidade realmente estão cumprindo o propósito que Jesus estabeleceu em Mateus 28.

Vamos aprofundar um pouco mais a questão: você já teve a sensação de estar se dedicando a algo, investindo seu tempo e dinheiro em eventos que servem mais para entreter e manter a comunidade em movimento do que para realmente servir a uma missão do Reino?

Bom, vamos parar por aqui, porque não quero ser acusado de ser contra essas coisas. Mas não é esse o caso. As atividades de uma igreja local envolvem eventos de comunhão, celebrações para casais, homens etc. Tudo isso, quando realizado dentro da perspectiva correta, é muito bom para um grupo que constrói laços fraternos.

A questão surge quando essas atividades se tornam o propósito da igreja local e tudo passa a girar em torno da manutenção dessa máquina, com o objetivo de cumprir uma agenda que acaba esgotando as pessoas e, o que é ainda pior, desviando o foco da verdadeira missão da igreja.

Com o tempo, isso gera frustração e falta de sentido. É aí que as pessoas confundem estar frustradas com as atividades da igreja com estar frustradas com o evangelho. O evangelho nada tem a ver com essas coisas. Todas essas atividades paralelas que acabamos criando são para nós mesmos. E esta tudo bem!

O evangelho tem a ver com a pregação do Reino de Deus, com o testemunho da graça salvadora, com o discipulado e com a glorificação do Pai por meio de uma vida santa.

É aqui que quero chamar sua atenção para um problema atual: muitas igrejas estão se transformando em clubes de atração e entretenimento. Estão impondo uma agenda que compete diretamente com a ordem de Jesus: fazer discípulos!

Caso você queira saber se faz parte de uma igreja saudável, preste atenção nesses aspectos:

“A igreja não é um auditório no qual espectadores assistem a um show, mas um corpo em que cada membro é equipado para o serviço e para a santificação.”

Pregação expositiva versus discursos motivacionais

Em uma igreja saudável, a Palavra de Deus é a autoridade final. A pregação expõe o texto bíblico em seu contexto, confrontando o pecado, anunciando o arrependimento e revelando a glória de Cristo. 2 Timóteo 4.2; 2 Timóteo 3.16-17.

A pregação em uma igreja bíblica não é moldada pelas preferências do público, nem utiliza textos fora de contexto para oferecer mensagens de autoajuda, prosperidade e conforto emocional.

Discipulado intencional

O foco de uma igreja saudável está no crescimento qualitativo, maturidade cristã, caráter e obediência a Cristo, por meio do acompanhamento próximo e da prestação de contas.

  • Mateus 28.19-20: “Portanto, ide, fazei discípulos de todas as nações […] ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. ”
  • Colossenses 1.28: o objetivo é apresentar todo homem perfeito, isto é, maduro em Cristo.

Em algumas igrejas atuais, o indicador de sucesso é estritamente quantitativo: número de pessoas no auditório e engajamento nas redes sociais. Produzem-se frequentadores assíduos (as vezes nem tanto), mas raramente discípulos transformados.

Santidade e arrependimento

Uma igreja saudável ensina que a graça de Deus não cancela a necessidade de uma vida santa. Pelo contrário, capacita o crente a viver de maneira separada dos padrões corrompidos da cultura.

  • 1 Pedro 1.15-16: “Segundo é santo aquele que vos chamou, tornai-vos vós mesmos santos em todo o vosso procedimento.”
  • Romanos 12.2: “E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente […]”

Culto centrado em Deus

O culto é uma resposta de louvor, reverência e obediência à majestade divina. Deus é o único espectador e o centro da adoração.

João 4.23-24: “Os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade […]”

Hebreus 12.28-29: o serviço a Deus deve ser prestado “com reverência e santo temor, porque o nosso Deus é fogo consumidor”.

Porém, fique atento quando a adoração é planejada para manipular emoções e criar sensações agradáveis nos presentes. Nesse caso, o ser humano torna-se o centro, e Deus passa a ser visto como um fornecedor de bênçãos e experiências espirituais.

Comunhão real (koinonia)

Uma igreja saudável estimula relacionamentos profundos, nos quais os membros compartilham alegrias e dores, exortam-se mutuamente e carregam os fardos uns dos outros.

  • Atos 2.42,46-47: perseveravam na doutrina, na comunhão, no partir do pão e nas orações, com simplicidade de coração.
  • Gálatas 6.2: “Levai os fardos uns dos outros e, assim, cumprireis a lei de Cristo.”

Em alguns casos, os eventos funcionam apenas como um programa: as pessoas chegam, consomem o “espetáculo” no escuro do auditório e vão embora sem interagir ou prestar contas a ninguém. É muito comum, nesses eventos, a formação de pequenos grupos de afinidade que se sentam juntos às mesas, enquanto os visitantes permanecem isolados. Assim, a oportunidade de criar vínculos acaba sendo perdida na maioria dos casos.

Liderança servil

Em uma igreja saudável, os líderes são pastores-servos que cumprem qualificações morais e espirituais rigorosas, pastoreando o rebanho com humildade e servindo de exemplo.

  • 1 Timóteo 3.1-7: apresenta requisitos de caráter inegociáveis para o presbiterato.
  • 1 Pedro 5.2-3: “Pastoreai o rebanho de Deus […] não por torpe ganância, mas de boa vontade; nem como dominadores sobre os que vos foram confiados, mas servindo de exemplo ao rebanho.”

Uma liderança centralizada na figura de um pastor muitas vezes autoritário, tratado como “chefe”, acompanhada do culto à personalidade e de pouca ou nenhuma prestação de contas por parte dos líderes, é um sinal de alerta. Fique atento.

Para não me estender, vou ficando por aqui. Não quero transmitir a ideia de que não há nada de bom acontecendo. Existem muitas comunidades verdadeiramente comprometidas com o Reino.

Quem sabe também não haja perfeição nelas, e certamente podemos apontar falhas, mas elas estão em processo. Estão caminhando em direção à missão que lhes foi proposta.

A pergunta não é se sua comunidade é perfeita, mas sim, se esta cumprindo a missão?
Se os eventos e atividades cumprem a missão de discipular, não o progarama da denominação?

Que Deus nos ajude a não negociar a mensagem do Reino em favor das tradições de nossas denominações ou de uma cultura evangélica construída sobre fundamentos que não produzem vida.

Tenhamos coragem! Se Cristo, ao pregar o evangelho do Reino, foi criticado e rejeitado pelos religiosos de sua época, não será diferente conosco.

“Ora, estes de Bereia eram mais nobres que os de Tessalônica, pois receberam a palavra com toda a avidez, examinando as Escrituras todos os dias para ver se as coisas eram, de fato, assim.” Atos 17.11.

Deus abençoe sua vida!
Nadir E. Heinrich

Ver mais artigos:
O Engano Sutil: Como o Diabo mudou sua Estratégia Contra as Igrejas!

É Biblico fazer Planos?

181 Visitas totales
109 Visitantes únicos

Deixe um comentário