Quando as pessoas nos decepcionam
“Na minha primeira defesa, ninguém foi a meu favor; antes, todos me abandonaram. Que isto não lhes seja posto em conta! Mas o Senhor me assistiu e me revestiu de forças.”
2 Timóteo 4:16-17
Olá meus irmãos, quero na reflexão de hoje falar um pouco sobre uma experiência que todos nós, mais cedo ou mais tarde, vamos enfrentar: a decepção com as pessoas.
Eu mesmo já experimentei decepções durante minha caminhada cristã, algumas foram pequenas, outras deixaram marcas mais profundas, mas todas de alguma forma me ensinaram.
Esse blog nasceu em razão de uma das minhas maiores decepçoes e por isso ele leva esse nome “Ministros da graça” pois a ideia é ministrar a mesma graça que nos curou à vida daqueles que padecem a dor das decepçoes.
É comum muitas pessoas começarem bem sua caminhada de fé, mas depois se afastarem da igreja, do ministério e até mesmo do Senhor porque alguém as decepcionou. Por isso quero deixar um alerta, principalmente para você que está começando agora na fé: as pessoas vão falhar com você!
Não estou dizendo isso para desanimá-lo, mas para prepará-lo e lamento que ninguém tenha me advertido sobre isso qd comecei minha vida cristã! É verdade que a vida cristã é maravilhosa, a comunhão da igreja é uma bênção, porém as vezes nos esquecemos que a igreja é formada por pessoas imperfeitas, assim como eu e você.
Eu tenho a intenção de responder 4 perguntas importantes que devemosfazer a nós mesmos frente as decepçoes:
Por que as pessoas nos decepcionam?
Por que a decepção de quem amamos dói mais?
A decepção pode destruir a beleza da nossa fé?
Qual deve ser nossa atitude?
Por favor me acompanhe até o final, comecemos com a primeira questão:
Por que as pessoas nos decepcionam?
As pessoas nos decepcionam porque são limitadas, falhas e ainda estão em processo de transformação.
Alguém pode amar você sinceramente e mesmo assim falhar. Pode prometer que estará ao seu lado, mas, quando chegar o momento difícil, talvez não permaneça. Alguns falham por medo, outros por imaturidade, egoísmo ou simplesmente porque não conseguem suportar a pressão do momento.
Paulo experimentou isso, ele estava preso, enfrentando um momento muito difícil, e escreveu:
“Todos me abandonaram.”
Demas, que antes era seu cooperador o abandonou por amar o presente século. Outros também se afastaram e no momento de sua defesa, quando Paulo mais precisou de apoio, ninguém ficou ao seu lado.
Aprendi por experiência própria que muitas vezes criamos expectativas muito altas sobre as pessoas e talves esse seja nosso maior problema nos relacionamentos, esperamos que elas façam por nós exatamente aquilo que faríamos por elas. Mas nem sempre será assim!
Você pode ser fiel a alguém e essa pessoa não ser fiel a você, pode ajudar e não ser ajudado, pode ouvir, aconselhar, orar e cuidar, mas, quando você precisar talvez aquela pessoa não esteja presente.
Isso dói, eu sei! Porém precisamos aprender algo importante: as pessoas podem ser instrumentos de Deus em nossa vida, mas não podem ocupar o lugar de Deus apenas Ele não nos decepcionará ou abandonará.
Por que a decepção de quem amamos dói mais?
Uma segunda pergunta que geralemnte nos fazemos é essa. Você já se pegou pensando assim? A verdade e razão dessa dor é simples: Quanto mais amamos, mais abrimos o nosso coração mais nos doamos e nos entregamos e o impacto da decepção é sentido com mais intensidade
Não sofremos profundamente por causa de qualquer pessoa, por alguém com quem não temos intimidade. A maior dor geralmente vem daqueles a quem mais confiamos, investimos e acreditamos.
Talvez seja um amigo, um irmão da igreja, um líder, alguém da família ou uma pessoa que caminhou conosco por muitos anos. Quando alguém assim nos decepciona, começamos a nos perguntar:
“Será que eu não era importante?”
“Será que tudo o que vivemos não valeu nada?”
“Como essa pessoa pôde fazer isso comigo?”
Meu irmão, não pense que amar foi um erro só porque alguém não soube valorizar seu amor. Paulo continuou sendo fiel, mesmo quando outros não foram fiéis a ele. A falha de Demas não diminuiu o valor do amor, do serviço e da dedicação de Paulo.
Da mesma maneira, aquilo que você fez com sinceridade não perdeu o valor porque alguém não reconheceu ou te decepcionou.
A decepção pode destruir a beleza da nossa fé?
Com certeza, e eu mesmo conheço a muitos que a perderam por essa razão e provavelmente você também e é aqui que está o grande perigo!
Uma decepção não tratada pode virar amargura. A pessoa continua indo à igreja, mas seu coração já está fechado. Continua ouvindo a Palavra, mas não confia mais em ninguém. Continua servindo, porém sem alegria.
Aos poucos ela começa a dizer:
“Não vou mais ajudar ninguém.”
“Não confio em mais ninguém.”
“Na igreja todos são falsos.”
“Não vale a pena amar as pessoas.”
Perceba como a falha de uma única pessoa começa a afetar todos os outros relacionamentos, por isso não permita que alguém que falhou com você destrua a beleza daquilo que Deus está fazendo em sua vida!
Não abandone Jesus porque alguém não soube representar Jesus corretamente.
Não abandone a igreja porque um irmão falhou.
Não deixe de servir porque alguém não reconheceu seu trabalho.
Não deixe de amar porque alguém não soube amar você.
Precisamos ter sabedoria, é claro, em algumas situações será necessário colocar limites e até manter certa distância. Perdoar não significa fingir que nada aconteceu, nem permitir que alguém continue nos machucando.
Mas uma coisa é colocar limites, outra coisa é deixar o coração endurecer!
Qual deve ser nossa atitude?
Por ultimo resta pensarmos com seriedade sobre o que devemos fazer com nossas decepçoes, ir guardando mágoa? Remoendo a dor? A atitude de Paulo me impressiona veja comigo:
Primeiro ele não fingiu que estava tudo bem. Ele disse claramente:
“Todos me abandonaram.”
Segundo, Paulo reconheceu sua dor. A fé cristã não nos obriga a esconder sentimentos ou fingir que não fomos feridos, ou mesmo nutrir sentimentos de vingança, veja que logo depois no texto ele disse:
“Que isto não lhes seja posto em conta.”
Veja que atitude maravilhosa! Paulo foi abandonado, mas não queria viver alimentando vingança.
Terceiro, ele não permitiu que a decepção destruísse sua misericórdia. Mas como ele conseguiu fazer isso?
A resposta está no versículo seguinte:
“Mas o Senhor me assistiu e me revestiu de forças.”
As pessoas foram embora, mas Deus permaneceu! Os amigos não apareceram, mas o Senhor estava ao lado de Paulo. E essa é uma verdade que eu e você precisamos guardar no coração.
Pessoas podem nos abandonar, mas Deus não abandona.
Pessoas podem esquecer aquilo que fizemos, mas Deus não esquece.
Pessoas podem não reconhecer nosso valor, mas nossa identidade não depende da opinião delas.
Meus irmãos, o que quero nessa reflexão não é ensinar você a desconfiar das pessoas, pelo contrário! Devemos continuar amando, servindo e construindo relacionamentos.
Minha intenção é alertar para que sua fé esteja firmada em Cristo e não na perfeição das pessoas.
Quero terminar chamando nossa atenção para algo que muitas vezes esquecemos:
Nós também já decepcionamos a outros!
Quando somos feridos, enxergamos claramente o erro do outro, mas temos dificuldade de perceber nossas próprias falhas. Eu mesmo tenho consciência de que já decepcionei pessoas, mesmo que não tenha tido a intenção.
Com certeza você também… Talvez tenha se ausentado quando alguém precisou de você. Talvez tenha falado algo de maneira errada, não tenha cumprido alguma promessa ou não tenha correspondido à expectativa de alguém.
Responda a si mesmo: Você já decepcionou alguém!
Em algumas situações somos como Paulo, sentindo a dor do abandono. Em outras, talvez tenhamos sido como aqueles que não permaneceram ao lado dele.
Por isso devemos agir com misericórdia!! Não porque aquilo que fizeram conosco foi pequeno, mas porque nós também precisamos da misericórdia de Deus todos os dias.
Antes de desejar que Deus cobre alguém por ter nos ferido, precisamos lembrar quantas vezes nós mesmos falhamos com Deus e com as pessoas.
As pessoas vão nos decepcionar, e quanto mais amamos, maior poderá ser a dor, não permita que essa decepção destrua sua fé, sua comunhão e sua capacidade de amar. Reconheça a dor, coloque limites quando necessário, mas não alimente vingança.
Lembre-se das palavras de Paulo:
“Mas o Senhor me assistiu e me revestiu de forças.”
Quando alguém não permanecer, Deus permanecerá. E, ao olhar para aqueles que falharam conosco, que possamos dizer como Paulo:
“Que isto não lhes seja posto em conta.”
Que Deus cure nossas feridas, livre nosso coração da amargura e nos ensine a tratar com misericórdia aqueles que nos decepcionaram.
Deus nos abençoe sempre!
Pr. Nadir E. Heinrich